Eu sei que tem muita coisa atrasada no blog, mas eu resolvi resgatar algumas coisas antigas e finalmente postar. Adoro isso aqui ahahah
Enfim, vou reconstruir algumas coisas – pelo menos tentar, na medida em que o tempo permitir- aquilo que um dia ficou pra traz, portanto vão aparecer coisinhas aqui bem antigas que por ora eu escrevi, mas que não consegui postar.
Pra começar vou transcrever um trecho de um livro, ou melhor, um folhetim (como era conhecido na época) publicado anteriormente á Revolução Francesa. O texto chama-se “Teoria do Poder Constituinte: O que é o terceiro Estado?” de Emmanuel-joseph Sieyés (1748- 1836). Tive que ler este texto semestre passado na faculdade, e apesar de ser tão antigo – escrito por volta de 1788 - achei muito útil ainda hoje para a realidade em que vivemos. Aliás, sugiro essa leitura a todos pseudo-intelectuais que acham que sabem alguma coisa de política baseando-se apenas no senso comum.
Enfim, descobri na conclusão desse texto clássico a síntese de tudo o que eu penso sobre aquilo que escrevo. Muitas coisas que coloco aqui são frutos de um amadurecimento pessoal e opinião própria, contudo não posso deixar de declarar que a leitura me ajuda muito a formular meus próprios princípios e opiniões. Não fico com o mérito só pra mim... tudo é resultado de uma filosofia, pesquisa leitura, que eu faço por prazer e involuntariamente.
Nos últimos tempos descobri na literatura clássica e antiga o prazer do conhecimento. Antes eu tinha certa resistência com esse tipo de leitura, mas ao estudar os autores mais antigos, começando desde Socrates, Platão, Aristóteles até os atuais, de forma não superficial como no colegial, descobri que é possível sugar deles muitas verdades. Me pergunto como esses autores, em uma época sem tanto recurso como a atual, conseguia chegar a conclusões tão universais que se é possível – e aproveitável – até hoje? Na base do pensamento eu concluo. Pelo menos eles tinham uma vantagem: não exerciam meras copias de pensamento. Hoje o ser humano desfruta do mal da “preguiça de pensar”. Então pegam uma opinião razoável – muitas vezes sem fundamento – que circulam por ai na mídia e faz daquilo uma verdade.
Pra concluir, volto a dizer que me identifico muito com esse trecho de Sieyés. Ele conseguiu sintetizar em poucas linhas muita coisa que acredito, não somente de um assunto especifico, mas de tudo aquilo que pode gerar questionamento.
“Sei que minhas ideias podem parecer extravagantes para a maior parte dos leitores. É que a verdade pode parecer tão extravagante para os preconceitos, como esses podem se-los para a verdade a verdade. Tudo é relativo. Para mim, basta que meus princípios estejam certos, que minhas conseqüências estejam bem deduzidas. Pelo menos , dirão, essas coisas são absolutamente impraticáveis para a época. E nem eu mesmo me encarrego de publicá-las. O meu papel é o mesmo de todos os escritores patriotas: consiste em apresentar a verdade. Outros chegam mais ou menos perto dela, de acordo com sua força, ou as circunstancias, ou ainda se afastarão dela por má-fé.
Aí, então, vamos suportar o que não podemos impedir. Se todo mundo pensasse a verdade, as maiores mudanças não seriam absolutamente difíceis, a partir do momento em que apresentassem um objeto de utilidade publica. O que mais posso fazer, a não ser ajudar com as minhas forças a difundir a verdade que prepara caminhos? Inicialmente vão recebe-la mal, mas pouco a pouco vão se acostumar e a opinião publica vai se formar. Finalmente, apesar de todos os tipos de preconceitos, vão perceber, na execução dos princípios, a verdade que, antes, haviam chamado de loucas quimeras."
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