20 setembro 2017

É só que ele tem um jeito muito estranho de demonstrar que gosta.

Talvez ele não sabia fazer isso direito, talvez ele nem saiba como amar, ou muito menos sabe que ama. Mas sabe que sente. Só não sabe se é amor. E citando dois livros que já li “ cada um sente o que sente” e  “ cada um aceita o amor que acha que merece”.  Não precisa ser letrado ou literário pra amar. Só precisa ser você, um ser único, especial a sua maneia. Com tantos defeitos que são qualidades aos olhos dela. Não precisa agradar aos outros, não precisa ser perfeito, só precisa saber viver o momento, na sua leveza, sem preocupações. 
Não precisa ter medo de machuca-la com sua força física porque  ela parece ser  tão delicada... mas por dentro é tao forte... ela aguenta. Só é preciso dar valor, fazer por merecer o sentimento dela. Se não ela pode não se sentir amada...
Ele tem tanto medo de assusta-la... caso confesse o que sente. Mas ela que o assusta na verdade. Assusta porque tem medo de perder o domínio sobre os próprios sentimos. E que mal tem perder o controle sobre si mesmo? Pecado mesmo não é se perder, mas perder o outro... e um momento de besteira, enquanto se pisca o olho e faz uma piadinha, ao olhar em volta novamente, não está mais lá. Se foi... a vida levou. Então surge dilemas internos sobre “porque eu não cuidei melhor”... pois é amigo, na vida tudo passa, e rápido demais. Então temos que ser presentes, mesmo que impossível fisicamente, mas que seja no coração então.
Mas pra vc estar lá, precisa querer, precisa acreditar que aquele espaço é seu... se não o outro vai se sentir sempre vazio. E o vazio só tem lugar no estomago, para as borboletas voarem quando os olhos dos dois se tocarem.
Ela só tenta entender o mundo demais... saber da verdade a qualquer custo. Ele tenta evitar acha que assim cause menos problemas... no fim, ele só sente dificuldade de le-la, e ela, sente-se confusa com ele. É só que ela pensa tanto, tanto na índole das pessoas, na real intenção delas... que acaba por esquecer que pode haver pessoas boas, bem intencionadas.

Ela nem mesmo sabe, se todo aquele sentimento que ele tem é pra ela....  Talvez ele só tenha  um jeito estranho de demonstrar. 

Texto perdido em meio a arquivos

Não quero escrever uma cronica estilo Pedro Bial, que fala como todos nós somos campeões ou como devemos viver a vida. Venho só lançar no papel palavras que pode, ou não, fazer sentido. Vai depender do seu espirito, do seu humor, e não tenho intenção alguma em tocar todas as pessoas, mas tocar apenas aquelas que buscam ouvir exatamente isso. Alguns vao se identificar, outros não, portanto podem seguir a própria vida, o fluxo normal sem nunca ter passado os olhos por essas palavras...
Ainda haverá aqueles que vão se fixar nessas palavras, parágrafos ou em apenas uma frase. Venho falar de tudo, ou de nada, ou de algo especifico. Venho falar de você, de mim, de um amor que passou ou, talvez, um que ainda não veio. Aquele que você ainda não encontrou, que você procura e que vai trata-lo bem para que não se assuste quando comecar a descobrir os seus segredos.
O fato é que o mundo gira, em uma velocidade imensa, que nos deixam tontos e as vezes coisas acontecem sem que nós percebemos e quando nos damos conta já passou.  Nascemos, crescemos, fazemos historia, marcamos gerações, mas apesar de fazer parte de uma massa, cada um é único com suas especifidades, qualidades e autenticidade. Fato é, que nascemos todos como folhas em branco que serão marcadas, desenhadas, rabiscadas com as próprias experiências. Em uma vida inteira, milhões de imagens que podem se repetir e passar como um filme em nossa mente durante apenas um segundo antes da morte... e o que vem depois? Ninguém sabe, não existe a volta do depois, afinal ninguém pode voltar a ser o que era antes... circunstancias nos marcam e somos o que vimos o que vivemos e o que pensamos. Dias, noites, sol, chuva, segundos se vao... e o que fica? Não dá pra saber, o homem sempre tentou mas nunca conseguiu definir o tempo e o amor. Esse é a prova do quanto somos pequenos, apenas do tamanho de um átomo perante a complexidade e infinitude de um universo com milhões de galáxias... quem eu sou, pra onde vou ou de onde vim, são perguntas que nunca, nunca vao ter respostas universais. Apesar da imensidão e de tudo estar interligado, somos particulares demais pra criar formulas, como na matemática, que valem para todos nós no que se refere ao amor.
Somos grandes e pequenos ao mesmo tempo, variando apenas a perscpetiva . afinal, a única definição que se pode fazer é que o mundo, incluindo o ser humano é a guerra dos contrários, unidos para compor toda essa beleza infinita. Falei tudo, ou nada ao mesmo tempo.

Esse sou eu, esse é você, esses todos somos o nós. 

09 julho 2017

Terapia

Ao entrar no consultório para sua segunda sessão com o terapeuta, Dayse sentou-se na poltrona confortável, florida e com um fundo bege claro, quase mude. Ficou ali, sentada na poltrona por alguns minutos, afundada em sua maciez, sem falar nada.
Sabia tudo o que sentia, tinha vontade de mudar é claro, mas sequer sabia como. Talvez era por isso que estava ali... para descobrir um caminho. 
Sentia-se murcha. Trinta e poucos anos e quase sonho nenhum restando. “Será que já tinha realizado tudo que queria na vida?
Já dizia um filósofo, não se lembrava qual no momento, que a finalidade do homem era a felicidade. E a felicidade era sempre estar em busca de algo. Se ela não sentia mais entusiasmos para correr atrás de mais nada será que era feliz? 
Respirou, desanimada. Nem mesmo a sua respiração era profunda. Sua vida não passava de sensações rasas, sentia. 
Pensava tudo isso, sentada de frente ao terapeuta, mas as palavras simplesmente não conseguiam achar o caminho até a boca. 
Ele permaneceu ali, olhando-a. Talvez para dar-lhe a chance de começar primeiro, com qualquer coisa que sentisse vontade de falar. Ela sentiu-se idiota. Está ali, em uma poltrona confortável e bonita, pagando para uma pessoa lhe ouvir. Sem nem mesmo ela, dona de seus sentimentos, era capaz de se entender, será que outra pessoa conseguiria?
- Eu.... - começou ela, e um breve pigarro grudou em sua garganta.
Ele continuou esperando, paciente, calmo, como se tivesse todo dia ali. 
- Eu... sinto que preciso de novos sonhos... - deixou-lhe a voz morrer... 
- O que te impede? - questionou ele.

A pergunta a atingiu como um soco, na boca, no estômago, no coração. Ele fora direto demais em tocar-lhe as amarras. 

Ela não sabia o que responder. Talvez não queria? Se respondesse seria a confissão para si mesma? A pergunta fez com que ela viajasse no tempo, para uma época diference, lugares diferentes e pessoas diferentes, que mesmo depois de terem partido pareciam que ainda lhe acompanhavam sempre, atribuindo-lhe um peso que não era seu. 

Não sabia quanto tempo ficou ali, fazendo aquela viagem no tempo e no espaço, sem ao menos sair do lugar. Poderia ter se passado segundos ou minutos e ele ainda a aguardava, pacientemente, que fizesse todo este exercício mental. O máximo que ouviu foi o tic-tac do relógio.. Conseguiu sentir emergindo de dentro de si uma sensação nova. Seria entusiasmo? Não sabia, ainda não tinha nome, mas ela apenas sabia que era boa. Descobriu então a razão de estar ali... ela abriu os olhos, e o encarou. Ela precisava de libertar. 

Divagações contemporâneas

Esses dias uma certa frase me despertou a atenção: "de bons de briga o mundo está cheio, o que falta é gente cheia de amor". Nenhuma outra frase me fez tanto sentindo para definir os dias de hoje. 
As pessoas  estão cada vez mais intolerantes umas com as outras, sejam devido seus próprios problemas ou simplesmente pelo gesto e costume de acusar o outro. 
Talvez se o erro ou o pecado do outro for maior que o meu, então minha pena não precisa ser tão rigorosa. E assim segue um mar de pessoas acusando umas às outras, como menciona a frase, sendo bons de briga mas fracos no quesito amor. 
Ocorre que o sol é para todos e apenas os egoístas acham que seu lugar no mundo será preservado se o outro for derrotado. Grande tolice! Ninguém é melhor do que ninguém, existem apenas pessoas diferentes. 

Seremos mais reconhecidos e queridos por nossa simpatia do que nossa falsa sensação de perfeição. Não será sendo perfeitos que seremos mais amados por nossos pais, nossos cônjuges ou as pessoas que convivem a nossa volta. Isso é uma doce enganação que traz a amarga sensação de sofrimento com os próprios erros e intolerância com os dos outros. Acabamos nos esquecendo que antes de tudo somos seres humanos e sujeitos a falhas e nem mesmo Jesus Cristo agradou a todos. Mas podemos nos inspirar nos passos dele, ao invés de atirarmos pedras nos outros podemos estender as mãos. Ser melhores no amor do que em brigas.