05 janeiro 2012

Lolita


Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo com três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes


E assim começa a obra de Vladmir Nabokov. Com Lolita o autor inicia o primeiro parágrafo do livro e com esta mesma palavra ele termina o ultimo. Confesso que terminei de ler o livro com uma ideia diferente da que comecei. Eu atribuía a Lolita toda a “culpa” dos desejos de Humbert, acreditando que ela era realmente uma garota á frente de sua época. Com o decorrer da leitura notei que Lolita era uma criança comum, apesar de ter o corpo avantajado para a idade tinha, mas que não deixava de ter as manias ainda de uma criança e a curiosidade de uma pré-adolescente sobre o assunto relacionado a sexo. No mais era uma criança, como qualquer outra em fase de desenvolvimento. Sim, em algumas passagens Lolita provoca Humpert, no entanto acredito que seja apenas implicância infantil mesmo. Mas Humpert Humpert interpretava isso como sinais de interesse da garota, o que eu realmente passei a achar asqueroso.

O personagem principal era realmente um pedófilo. Não apenas Lolita, ele gostava de observar crianças brincando no parque, sentindo um grande desejo ao visualizar as canelas de garotinhas. A obra relata com riqueza a mente e desejos de um pedofilo. O prazer que ele tem de observar crianças, achando seus movimentos infantis e desajeitados realmente sexy. A vontade que sentia de toca-las, mas contentando-se apenas a imaginar. No entando, Humpert não consegue mais se controlar quando conhece Lolita. Por ela, muda até seus planos, casa-se com a mãe da pobre garota, na qual ele próprio sente grande aversão e preguiça, apenas pra ficar mais perto de seu objeto de desejo.

A obra sugere um ar, segundo a própria perspectiva de Humpert, que certas garotas são como ninfetas, que intuíam despertar o desejo de um homem. No entanto cabe aqui uma pergunta: essas crianças, tratadas como ninfetas, realmente teriam a intenção de chamar atenção de um homem pela perspectiva sexual? Eu ainda prefiro acreditar na inocência delas, pois em uma simples brincadeira em um parque não poderia estar pautada a intenção de chamar atenção de um homem na forma carnal. A maldade estaria na cabeça do pedofilo que sente-se atraído pela puberdade das garotas, com um corpo em potencial desenvolvimento. A maior parte do livro o protagonista descreve suas lascivas e pensamentos eróticos que possui com “ginasianas pubescentes”. O simples toque de mãos, ou movimento dos cabelos eram suficientes para que ele se embriagassem e submergisse em pensamentos eróticos.

Agora eu entendo o motivo da aversão que tal obra provocou ao ser publicada em 1955, época na qual ainda não tolerava a abordagem deste assunto com muita recepção. O que acho extremamente interessante é a perspectiva que o autor aborda: um mundo visto pelos olhos de um pedofilo, a mente deste personagem sendo explorada de uma forma ( e sobre um tema) que nunca se viu antes na literatura. A obra traz os pensamentos do explorador infantil e de como ele trama pequenos abusos. O próprio Humpert chega até mesmo a elaborar um plano de assassinato para tirar de seu caminho aquilo que o impede de chegar até a ninfeta de seus sonhos. Essa passagem se demonstra um tanto quanto “dostoievskiana” quando o protagonista da obra russa, trama o assassinato que iria cometer logo em seguida. Além disso, a obra também demonstra a agonia de alguém que possui um comportamento rechaçado pela sociedade.

O decorrer da historia me parece, por muitas vezes, chato e massante. Há passagens de frases e jargões em Frances. Creio que com este fato o autor buscava atribuir ao personagem principal um tom de requinte, demonstrando que apesar de seus atos asquerosos, ele era uma pessoa extremamente culta, leitor de livros clássicos, professor e escritor. Isso generaliza o status de pedofilo a qualquer pessoa da sociedade, tanto de classes e culturas inferiores quanto aos reconhecidos pela seu conhecimento.

Por vezes fiquei na duvida sobre qual os sentimentos de Lolita sobre seu relacionamento com Humpert. Em alguns momentos ela se demonstrava gostar da relação dos dois, em outros ela parecia realmente constrangida com a situação. Entendo que Lolita era metade criança metade mulher. Ao mesmo tempo que ela estourava bolinhas com o chiclete ela se demonstrava de uma destreza soberba. Madura e ousada em suas opiniões para a idade que possuía.

Por mim eu prefiro acreditar que Lolita foi vitima de um homem que usufrui de sua posição para abusar da jovem. Lolita teve sua infância invadida por um pedofilo, tendo seu desenvolvimento sexual natural interrompido. Aos 13 anos de idade ela já possuía uma vida sexual ativa com um homem 30 anos mais velho que ela, fase esta que deveria ser apenas de experimentações com crianças de mesma idade. Suas experiências na pré adolescência contribui para que seu destino seja mudado completamente no futuro.

Creio que o intuito do livro, além de explorar esta mente de um abusador é relatar o jogo de sexualidade de uma criança em desenvolvimento. A analise da obra entra em campos realmente profundos da mente humana. Este, pode se dizer, é o intuito de varias obras existentes na literatura.

Um comentário:

Bruna dos Anjos disse...

oi

gostei to seguindo
se gostar segue tbm:

http://enredodeideias.blogspot.com/

beeijo