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Ele corre com toda sua força, deposita toda sua energia em suas pernas. Tenta controlar a respiração em um ritmo regular, mas por fim desiste. Seu corpo dói, reclama do o esforço extremo e repentino. Mas ele simplesmente não pode chegar atrasado. Um minuto depois pode estragar sua única chance. A barriga dói, o ar que entra por seus pulmões arde ao entrar. A calça raspa entre suas pernas, deixando um enorme vermelho que ele notaria só posteriormente. Porem isso não importava, ele tinha que conseguir.
Por uma fração de seguindo ele pensa o que faria se não conseguisse chegar a tempo. E então deixa isso pra lá e se concentra sua ultima reserva de energia pra fazer a curva. Ao virar a esquina ele consegue visualizar alguns vagões do trem. Agora faltava pouco. Ainda correndo ele entra na estação, pula a catraca e houve o grito do segurança atrás de si. Ignorando o homem ele continua em sua corrida frenética. Olha pra todos os lados, mas não consegue vê-la. Onde será que ela está? Não é possível que ele chegaria até ali e não a encontraria. Desesperado ele olha para dentro de cada janela dos vagões e grita por ela. Algumas pessoas começam a lhe olhar com olhares curiosos.
Quando eles se aproximam se abraçam tão forte como se um fosse atravessar o outro. Ela sente todas suas costelas doerem com o forte abraço. Tomando um pouco de fôlego ela consegue dizer ainda com dificuldade:“ – O que você está fazendo aqui?”
Nesse momento o segurança os alcança, e ao ver a cena fica parado sem interferir. Praticamente todos os olhos da plataforma estão voltados para eles.
- Não consegui pensar no fato de você partir sem que eu te desse um ultimo beijo.
Ela fez uma careta engraçada e ele percebeu que a estava apertando demais. Deu apenas uma afrouxada nos braços sem se separar dela.
- Mas a gente não tinha combinado de não se despedir?
- Eu sei, eu sei, mas não resisti.
Ela não disse nada, apenar ajeitou a cabeça confortavelmente no peito dele.
O segurança deu um passo em direção a eles. Uma senhora de meia idade que estava por perto colocou o guarda chuva que fazia de apoio no chão, na frente o impedindo de se aproximar do casal. O segurança olhou pra ela, e ela retribuiu com um olhar intimidador no sentido de “ não seja estraga prazeres”.
- Eu vou voltar rápido – ela quebra o silencio.
- Eu sei, mas vai parecer uma eternidade.
- Você acha mesmo?
- Uuuhum.
Só então ele afasta-se um pouco e segura com suas duas mãos em cima da orelha dela inclinando seu rosto para fita-la nos olhos.
- Não seja tola.
- Você está pisando no meu pé. – reclama ela.
- Me desculpe.
- Eu amo você.
Nesse momento o trem dá o ultimo sinal de que irá fechar as portas. Ela olha para o lado e diz:
- Preciso ir agora. – Com um beijo sorrateiro ela sai correndo em direção a porta entrando no ultimo segundo antes de elas se fecharem, mas foi tempo suficiente para ouvir atrás de si:
- Eu também amo você.
...
- Ei garoto, acabou a festa, vamos nessa. – Disse o segurança que até então estava observando tudo, assim como outras pessoas paradas na plataforma.
Ao se virar ele percebe que todos estão olhando pra si. Sente seu rosto queimar um pouco por causa da timidez, mas começa a andar em direção a porta da estação para evitar outra repreensão do segurança. Pela ultima vez ele olha pra trás e vê o trem fazer a curva. O sol esta se pondo e bate reflexo em seu olho, fazendo-o desviar a direção do olhar.
Aos poucos As pessoas começam a voltar a atenção para suas próprias vidas, e em poucos segundos a plataforma está movimentada e barulhenta como sempre. São poucas as chances que as pessoas tem de visualizar uma cena de demonstração de afeto tão sincera como aquela. Para muitos aquela cena não alteraria em nada sua vida, para outros, bem... era apenas mais uma prova de que o amor ainda existia e que se podia acreditar nas pessoas.
Naquela noite, o segurança levara para sua esposa, uma pequena rosa colhida em um jardim no caminho de casa. Uma moça, que também acompanhara todo o acontecimento, resolveu finalmente atender aos telefonemas insistentes de seu ex namorado e perdoá-lo.
A senhora do guarda-chuva relembrou de seu tempo de juventude quando se apaixonara. A nostalgia apertou-lhe o peito, com uma sinestesia de sensações. Sentou-se então em um banco que estava próximo, para recuperar as energias. Já estava velha e não agüentava muito esforço mais.
Uma jovem sentada ao banco estava lendo um livro. A velha deu uma espiada no titulo da capa.
- Sabe querida – disse a velhota – Eu também já me apaixonei – então a menina fechou o livro e olhou pra senhora com certa curiosidade, esperando que ela continuasse – Mas isso é uma longa história....
Um comentário:
oooi amor, adorei seu blog, todas as postagens são otimas, não tem como comentar todas mais por falta de tempo, mas sempre que posso dou uma passada aqui, parabéns pelo blog, e sucesso..
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By: http://akissinlife.blogspot.com.br | Se puder dar uma passada lá no meu e seguir fico super agradecida.. beijos s2
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