O que a vida me mostrou nos últimos dias tem me deixado muito em duvida. As vezes não consigo chegar a uma conclusão. Me sinto como se estivesse no meio de dois estremos ( e de fato estou). De um lado a favela, toda sua desordem feiura, seu sofrimento. Do outro a beleza, grandes vistas, mas falsidade (das pessoas).
Estranho. Essa é a
única sensação familiar quando penso no assunto.
Tudo começou quando viajei para o Rio de Janeiro nesse ano
novo. Vi muitas coisas, e conheci dois lados discrepantes de um mesmo cenário.
As vezes a gente pode imaginar como é em
cada lado, mas nunca temos realmente a noção quando não vemos ou vivemos na
realidade. Isso é uma das coisas que minha cidade não fornece. Dois extremos
tão próximos um do outro. Aqui não é belo de um lado e feio de outro. As áreas
mais marginalizadas estão mais pra fora da cidade. Eu sei aqui tem favela, mas
se localiza afastado do centro da cidade, onde a maioria da população
desempenha suas atividades. Uberlândia não dá pra olhar pro lado e ver o morro
brilhando lá no auto “parecendo estrelas
no céu” * como no Rio de Janeiro. Então pode ser que vivemos anos sem nos
dar conta que aqui também existe isso comunidades. Eu não digo que me choquei,
até porque tinha ciência dessa realidade, mas nunca sabemos de fato como é sem
estar lá dentro. Ainda mais porque só vi por fora, olhando de baixo pra cima.
O Rio de Janeiro é lindo. Cada lugar que você olha tem uma
vista bela. Isso meio que embriaga todos nós. Parques, museus, Praias, prédios
antigos ( dá pra visualizar a historia do Brasil acontecendo ali).É muito bom a
sensação que toda essa beleza provoca. Mas quem presta atenção pode notar também as
favelas. Saindo do aeroporto Galeão e indo em direção ao centro pode ser ver o
Complexo do Alemão. Enorme. É sinistro olhar lá pra cima. É feio e me pergunto
como as pessoas conseguem viver ali. Não estou criticando essas pessoas, eu digo
o quanto desleal é esse mundo. Quem vive ali é por falta de opção. Logo atrás
de Ipanema (mais próximo ao Arpoador) tem o Morro do Canta Galo. Já quem está
na pedra do Arpoador vê quase que de frente a favela do Vidigal.
Acho que todas essas impressões ficaram mais acentuadas
devido ai filme que assisti e ao livro que estou lendo, logo em seguida da
minha volta do Rio. O filme chama-se Era uma vez, produção brasileira que conta
o romance entre uma garota de família rica que mora em um apartamento na Avenida
Viera Souto bem de frente a praia de Ipanema e um garoto morador da favela do
Canta Galo. O longa mostra muito bem as disparidade entre as vidas dos dois, o
que dificulta muito o romance. Já o livro, chamado “ O passageiro” de autoria
de Cesario Mello Franco (brasileiro) conta a historia de um garoto de 16 anos,
também morador da Avenida Vieira Souto e como ele mesmo reproduz a fala de seu
pai “ no metro quadrado mais caro do
mundo”. O livro já traz outra perspectiva, a de um garoto rico, culto pra
sua idade que se liga em coisas de adolescentes (como revista de mulheres
peladas), mas que também gosta de livros e filmes. O garoto perde o pai,
assassinado de forma misteriosa e até o ponto que eu li ainda não deu maiores
explicações. Mas o garoto é mesmo revoltado com seu pai, um aplicador da bolsa
que ficou rico assim e que agora só sabe chamar o filho de incompetente e o
acha-lo fútil. Mas na verdade é o filho que acha seus pais fúteis. A mãe, uma
socialite que só se preocupa com a imagem e a sociedade. O pai um mulherengo
esbanjador. A diferença do filme e do livro é que este mostra uma perspectiva
unidimensional, apenas do rico vivendo no Rio de Janeiro. O filme explora muito
o outro lado, o lado da violência e da favela.
O Rio de fato é uma cidade maravilhosa, apesar de seus
extremos. Hoje entendo porque é considerado um dos lugares mais bonitos do
mundo.
Duvido que algum blogueiro com posts de viagens tenha
explorado a vida real de um lugar que
viajou e conheceu. Normalmente sempre se restringe a visão de turistas sobre o
lugar dando dicas de onde ir, quando, etc.
Conhecer um lugar não é só apenas ser um turista. É, por um
momento, parar e tentar sentir como seria viver
ali. Afinal viajar e conhecer um lugar é diferente de viver todos os dias a
realidade do lugar.
Deixo aqui minhas observações. Dessa vez minhas impressões
não ficaram restritas apenas e livros e filmes, onde eu tenho mais contato com
informações. Realmente vi com meus olhos (de perto), senti bem próximo e estive
ali.
Termino o post com a frase final do filme:
“ Mas se as pessoas
olhassem com mais cuidado uns pros outros, acho que seria diferente.”
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