12 abril 2008

Seguir sempre...

Ela estava ansiosa aquele dia. Chegou quinze minutos antes do horário marcado. Não conseguia aquietar-se. Sabia que era hora de resolver aquela situação. Se ele não viesse...

Sentou-se em um banco protegido por uma imensa sombra da copa de uma árvore. Ali estava fresco, mas mesmo assim ainda fazia muito calor.

Esperou. Passaram infinitas coisas por sua cabeça. Já estava com tédio de ficar ali, naquela praça, esperando por uma pessoa que tinha grandes chances de não aparecer. E se ele não viesse? Essa pergunta lhe passou inúmeras vezes pela cabeça. Ela seguiria sua vida. Mas.... tão fácil assim? Seguir a sua vida?

Mas ela acreditava que ele viria. Pegou uma folha seca que estava a seu lado. Observou-a. Lembrou dos momentos que passou junto dele.

Não. Não era verdade que ele tivesse feito aquilo com ela. As pessoas só podiam estar mentindo! Fechou os olhos, mordeu o lábio inferior. Uma lágrima queria rolar por sua face. Porém ela não o permitiu.

Em seu intimo acreditava que aquilo tudo era mentira. Mas não eram o que as circunstancias apontavam. Consultou o relógio. Ele já estava 10 minutos atrasado. Bom, todo mundo atrasa 10 minutinhos, pensou. “ O trânsito...” balançou a cabeça levando pra longe dali aquele pensamento. Não podia continuar arrumando desculpas para inocentá-lo. Mas doía, não queria acreditar no que estava acontecendo. Seria muito mais fácil se...

E o tempo passou. Ela observava o movimento das ruas, o barulho dos carros. A qualquer momento ele chegaria!

Depois de olhar infinitas vezes para o relógio concluiu que ele realmente não viria... não era possível! Devia ter acontecido alguma coisa com ele. Mas já se passara muito tempo que estava ali. Ele estava atrasado a uma hora já! Intimamente acreditava que ele era inocente. Mas tinha que acreditar nos fatos... então todos estavam certo! E ela, nunca quis ouvi-los. Naquele momento, como se fosse um momento de lucidez, todas as suas esperanças se esvaíram. Veio a raiva. Indignação.

Agora tudo fazia sentido! Ele não aparecera porque não teve coragem de encará-la. Fugiu. Foi mais fácil pra ele...

Depois da raiva veio a tristeza. Aquela lagrima que teimava em descer-lhe pela face finalmente venceu-a e ela chorou, não se sabe por quanto tempo.

Sem esperanças e agora enxergando a verdade, decidiu que a melhor solução era seguir em frente. Superaria, com certeza! Já havia superado até a morte de pessoas queridas porque não superar isso? Demoraria um tempo é claro. Mas superaria...

Enxugou as lagrimas e levantou-se, pois agora era hora de recomeçar...

2 comentários:

Unknown disse...

Eu sempre disse que você escreve bem e procurei te incentivar ainda mais poque sei que escrever é uma das coisas que te fazem bem. Mas esse texto é o melhor seu que já li ... mesmo sendo bastante critico eu não sugeriria a mudança de uma unica palavra e a forma com que você transformou a situação vivida em uma historia mudando os fatos mas sem perder a essencia é espetacular. Eu sei que normalmente eu sou uma pessoa suspeita pra tecer comentarios mas depois desse texto uma palavra resume tudo.
Parabéns

Da Matta disse...

vc se supera. Muto bom o conto...simples, mas muito bem feito.

Beijoss