Eu vejo o mundo por uma tela
Mas quando fecho os olhos, ganho assas
Então imagino um mundo
Um mundo meu
Sem doenças sociais
Com homens que não se comportam como animais
Com homens que não são tratados como animais
Não imagino homo sapiens
Mas imagino sim, homo sabiens
Imagino flores que são tratadas
E não que são pisadas
As defeituosas são cautelosamente aguadas
Reparadas
Alimentadas
Valorizadas
Mas alguém me toca
Abro os olhos
Não vejo cores
Vejo sujeira
Não precisa ser em beco
Vielas, Favelas
Nem bairros simples
Vejo naqueles Urbanizados
Projetados, Arquitetados
minuciosamente para esconder a podridão
Que cerca, envela mas revela
A verdadeira cara daquela
Que não quer assumir a maldição.
A realidade é triste
Delirante, agonizante
Mas preferem viver nela
Do quer reformar, limpar
A sujeira é jogada para os cantos
Para os morros
Murados, cercados
Aprisionados
Que morram por lá
Melhor do que libertar.
Vejo concreto esfarelando
Ruas esburacando
Crianças dando
Ricos roubando
O reto e visto como torto
Só porque pertence ao povo
Seria contrario
Se pertencesse aos poucos
A realidade dói
O imaginário corroi
Mas prefiro acreditar nele
Do que fazer parte daqueles que distroi.
acho que pela primeira vez na vida consegui por em uma poesia o que eu sentia.
Joice.
2 comentários:
Nossa, que poema revoltado. Realmente você conseguiu expressar bem o que estava sentindo. É bom esbravejar de vez em quando. E em forma de poesia tudo fica mais legal.
Um bom poema.
Grande beijo.
Jooice adorei o que vc escreveu!Desabafo revoltado,mas lindo!Lindo vc expressar que não é uma pessoa que fecha os olhos diante de tantas coisas ruins mesmo...Muito legal!Continue escrevendo!
bjao
Postar um comentário