27 setembro 2009

ReTrato da Vida

Eu vejo o mundo por uma tela

Mas quando fecho os olhos, ganho assas

Então imagino um mundo

Um mundo meu

Sem doenças sociais

Com homens que não se comportam como animais

Com homens que não são tratados como animais


Não imagino homo sapiens

Mas imagino sim, homo sabiens

Imagino flores que são tratadas

E não que são pisadas

As defeituosas são cautelosamente aguadas

Reparadas

Alimentadas

Valorizadas



Mas alguém me toca

Abro os olhos

Não vejo cores

Vejo sujeira

Não precisa ser em beco

Vielas, Favelas

Nem bairros simples

Vejo naqueles Urbanizados

Projetados, Arquitetados

minuciosamente para esconder a podridão

Que cerca, envela mas revela

A verdadeira cara daquela

Que não quer assumir a maldição.


A realidade é triste

Delirante, agonizante

Mas preferem viver nela

Do quer reformar, limpar

A sujeira é jogada para os cantos

Para os morros

Murados, cercados

Aprisionados

Que morram por lá

Melhor do que libertar.

Vejo concreto esfarelando

Ruas esburacando

Crianças dando

Ricos roubando



O reto e visto como torto

Só porque pertence ao povo

Seria contrario

Se pertencesse aos poucos


A realidade dói

O imaginário corroi

Mas prefiro acreditar nele

Do que fazer parte daqueles que distroi.


acho que pela primeira vez na vida consegui por em uma poesia o que eu sentia.


Joice.

2 comentários:

Da Matta disse...

Nossa, que poema revoltado. Realmente você conseguiu expressar bem o que estava sentindo. É bom esbravejar de vez em quando. E em forma de poesia tudo fica mais legal.

Um bom poema.

Grande beijo.

Isabela Campos disse...

Jooice adorei o que vc escreveu!Desabafo revoltado,mas lindo!Lindo vc expressar que não é uma pessoa que fecha os olhos diante de tantas coisas ruins mesmo...Muito legal!Continue escrevendo!
bjao