25 dezembro 2014

Morte Súbita - J. K Rowling - Resenha

                            Nunca demorei tanto para ler um livro. No total acredito que foram 9 meses dos quais li diversas outras obras intercaladas. Mas não desisti, apesar dos pontos baixos de algumas partes da historia.
                            Fato que a autora segue um estilo de escrita completamente diverso da serie Harry Potter, não só pelo tema, mas como estrutura textual. A tendência é que os autores sigam um padrão, como por exemplo, Nicholas Sparks e Dan Brawn, que mantem as características dos personagens e o enredo das historias parecidas. J.K. Rowlling conseguiu um feito extraordinário em escrever uma obra de forma tão diferente da serie que lhe deu fama. Esse capacidade, diria eu, é muito difícil para um escritor. Escrever é algo particular de cada autor... cada um possui suas tendências. É como pintar quadro, dirigir um filme ou compor uma musica. O artista pode ser desvendado por seus estilos artísticos.
                           Certa vez entrei em uma sala de cinema para assistir um filme qualquer, matar o tempo apenas; escolhi o horário mais próximo sem me importar em saber sobre o que era o filme. Ao começar notei um “q” de Woody Allen no longa. Já no meio do filme tive certeza, era um filme do Woody e eu sequer tinha ficado sabendo da estreia. Achei estranho o fato porque eu adoro os filmes dele e se soubesse já tinha corrido antes para assistir. Enfim, chegando em casa confirmei o que eu já suspeitava: era mesmo um filme do Woody Allen. Essa é a prova que todo artista tem sua assinatura em suas obras... Mas A J. K. Rowlling, conseguiu um feito magico; fugir completamente da sua assinatura.
Primeiro ponto de diferença, nesse livro não há um protagonista. Todos os personagens ocupam o mesmo espaço. Não há uma historia principal – como eu imaginei de inicio. O livro narra a vida de varias pessoas que tem em como ponto em comum morar no mesmo vilarejo, pequeno e monótono. Cada personagem interfere na vida do  outro com suas atitudes e decisões. Simplificando: a autora criou um nicho de pessoas e escreveu sobre as historias delas e como cada uma cruza o caminho da outra.
Outra diferença, além da ausência de personagem principal e tema central da historia é que não há divisão entre pessoas boas e más (como é de se esperar na maioria das historias ter o bomzinho e o mal). Todos tem seu lado maldoso, mas justificados pelos sofrimentos impostos pela vida. Ao mesmo tempo que todos demonstram seu lado negativo a autora expõe os motivos de cada, em ser assim.
Analisando o livro de maneira geral, não é aquele que posso dizer que toda vez que se pensa em ler algo, será ele que virá à cabeça. Mas achei fantástico o tom realista (completamente reverso de Harry Potter) dessa obra. São abordados temas completamente cotidianos como por exemplo, política, ambição por poder, drogas, Buling, questões sociais, morte de entes queridos, ou seja, assuntos que todos vivem na vida. Resumindo: o livro conta a historia de cada pessoa de uma pequena cidade.
Outra forma de escrita que gostei nesse livro é a mescla de cenas. Normalmente uma cena e apresentada para o leitor na perspectiva de um personagem por vez. Nesse livro não, em uma mesma pagina a autora insere as ações de vários personagens que ocorrem ao mesmo tempo, mesmo que em espaços geográficos diferentes. E ela faz isso tão natural que não deixa o leitor confuso.
Apesar de toda demora na leitura, por vezes até desinteresse devido a monotonia que por hora o livro cai, acredito que o saldo da obra foi positivo. Não é uma leitura para adolescentes, que buscam aventuras, mas sim para pessoas com maturidade literária para saber apreciar os fatores aqui apresentados. Contudo, não posso apenas frisar na monotomia, uma vez que o livro e cheio de reviravoltas; e confesso, o final me pegou de surpresa, principalmente do desprendimento da J. K. Rowlling em “matar” personagens que estiveram á sombra de outros, mas que não deixou de impactar o leitor.
Na minha opinião livro bom é aquele que causa sensações nos leitores. Se você fecha um livro com a mesma sensação que abriu, esse livro não fez diferença nenhuma em sua vida, pois ele não conseguiu te tocar. E digo, não são todos os autores que conseguem adentrar no psicológico do leitor.

Concluindo, J.K. Rowlling mais uma vez demonstrou seu potencial na escrita, principalmente arriscando fugir de seu padrão artístico. Um verdadeiro artista é isso, ter várias faces e surpreender seu interlocutor em cada uma delas. 

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