Nunca demorei tanto para ler um livro. No total
acredito que foram 9 meses dos quais li diversas outras obras intercaladas. Mas
não desisti, apesar dos pontos baixos de algumas partes da historia.
Fato que a autora segue um estilo de escrita
completamente diverso da serie Harry Potter, não só pelo tema, mas como
estrutura textual. A tendência é que os autores sigam um padrão, como por
exemplo, Nicholas Sparks e Dan Brawn, que mantem as características dos
personagens e o enredo das historias parecidas. J.K. Rowlling conseguiu um
feito extraordinário em escrever uma obra de forma tão diferente da serie que
lhe deu fama. Esse capacidade, diria eu, é muito difícil para um escritor.
Escrever é algo particular de cada autor... cada um possui suas tendências. É
como pintar quadro, dirigir um filme ou compor uma musica. O artista pode ser
desvendado por seus estilos artísticos.
Certa vez entrei em uma sala de cinema para assistir
um filme qualquer, matar o tempo apenas; escolhi o horário mais próximo sem me
importar em saber sobre o que era o filme. Ao começar notei um “q” de Woody Allen
no longa. Já no meio do filme tive certeza, era um filme do Woody e eu sequer
tinha ficado sabendo da estreia. Achei estranho o fato porque eu adoro os filmes
dele e se soubesse já tinha corrido antes para assistir. Enfim, chegando em
casa confirmei o que eu já suspeitava: era mesmo um filme do Woody Allen. Essa
é a prova que todo artista tem sua assinatura em suas obras... Mas A J. K. Rowlling,
conseguiu um feito magico; fugir completamente da sua assinatura.
Primeiro ponto de diferença, nesse livro não há um
protagonista. Todos os personagens ocupam o mesmo espaço. Não há uma historia
principal – como eu imaginei de inicio. O livro narra a vida de varias pessoas
que tem em como ponto em comum morar no mesmo vilarejo, pequeno e monótono. Cada
personagem interfere na vida do outro
com suas atitudes e decisões. Simplificando: a autora criou um nicho de pessoas
e escreveu sobre as historias delas e como cada uma cruza o caminho da outra.
Outra diferença, além da ausência de personagem principal
e tema central da historia é que não há divisão entre pessoas boas e más (como
é de se esperar na maioria das historias ter o bomzinho e o mal). Todos tem seu
lado maldoso, mas justificados pelos sofrimentos impostos pela vida. Ao mesmo
tempo que todos demonstram seu lado negativo a autora expõe os motivos de cada,
em ser assim.
Analisando o livro de maneira geral, não é aquele
que posso dizer que toda vez que se pensa em ler algo, será ele que virá à cabeça.
Mas achei fantástico o tom realista (completamente reverso de Harry Potter)
dessa obra. São abordados temas completamente cotidianos como por exemplo,
política, ambição por poder, drogas, Buling, questões sociais, morte de entes
queridos, ou seja, assuntos que todos vivem na vida. Resumindo: o livro conta a
historia de cada pessoa de uma pequena cidade.
Outra forma de escrita que gostei nesse livro é a
mescla de cenas. Normalmente uma cena e apresentada para o leitor na
perspectiva de um personagem por vez. Nesse livro não, em uma mesma pagina a
autora insere as ações de vários personagens que ocorrem ao mesmo tempo, mesmo
que em espaços geográficos diferentes. E ela faz isso tão natural que não deixa
o leitor confuso.
Apesar de toda demora na leitura, por vezes até
desinteresse devido a monotonia que por hora o livro cai, acredito que o saldo
da obra foi positivo. Não é uma leitura para adolescentes, que buscam
aventuras, mas sim para pessoas com maturidade literária para saber apreciar os
fatores aqui apresentados. Contudo, não posso apenas frisar na monotomia, uma
vez que o livro e cheio de reviravoltas; e confesso, o final me pegou de
surpresa, principalmente do desprendimento da J. K. Rowlling em “matar”
personagens que estiveram á sombra de outros, mas que não deixou de impactar o
leitor.
Na minha opinião livro bom é aquele que causa
sensações nos leitores. Se você fecha um livro com a mesma sensação que abriu,
esse livro não fez diferença nenhuma em sua vida, pois ele não conseguiu te tocar.
E digo, não são todos os autores que conseguem adentrar no psicológico do
leitor.
Concluindo, J.K. Rowlling mais uma vez demonstrou
seu potencial na escrita, principalmente arriscando fugir de seu padrão artístico.
Um verdadeiro artista é isso, ter várias faces e surpreender seu interlocutor
em cada uma delas.
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