Okay, eu sei que isso aqui tá jogado às traças... nem sei
porque ainda mantenho ativo. Mas na via das duvidas, mantenha.
Sinto vontade de escrever, as vezes. Só que a vida atola a
gente com tantas informações que é difícil colocar palavras pra fora.
Enfim, aí vai mais um texto piegas, daqueles do tipo “romances
que não existem” do qual eu tenho até vergonha de postar.
Mas texto escrito é texto escrito e por mais lixo que seja,
não vou desperdiçar. Vai que...
You looks so beatiful today
“You looks so beatiful today”, foi a primeira frase que lhe
veio a cabeça quando ele a avistou de longe. Não conseguia acreditar em seus
olhos então tentou se desvencilhar da multidão, naquela manhã de domingo com
sol ameno e clima agradável, para se aproximar.
Aquela musica marcou o terceiro ano da faculdade, quando
eles viveram um breve, mas intenso, romance. Mas ele não conseguiu se dedicar a
ela. Simplesmente tinha olhos para todas as garotas que passavam por
perto. Em pouco tempo ela se tocou que
ele não seria só dela e por isso deixou que ele fosse embora... Ela era o tipo
de garota na dela, não almejava popularidade, atenção ou glamour. Apenas tinha
o intuito de ser ela mesma, fazer as coisas com que gostava, e ser feliz. Ele,
por sua vez, já gostava de mais popularidade e viver cercado de pessoas.
Sentiam uma grande atração física um pelo outro e teriam dado certo aquela
época, se não fosse incompatibilidade de pensamentos.
Quando conseguiu romper uma turma de turista que vinha em
sentido contrario, ele a viu mais de
perto agora. Tinha certeza. O cabelo loiro até um pouco abaixo dos ombros, com
ondas sutis que não tinha antes. Uma touca vermelha, meio fora de lugar, lhe
protegia a cabeça. O jeans justo e rasgado definia seu corpo. Havia ganhado
cerca de 5 quilos desde a ultima vez que a vira, mas isso só fez com que ela
parecesse mais atraente.
Exitou por um estante, se deveria ir até lá para falar um
Oi. Há aproximadamente 10 metros de distancia ele a observava disfarçadamente.
Ela estava em uma banca de produtos típicos da região e analisava alguns
postais que estavam expostos em suporte em forma de cortina. Ela ainda tinha a
mesma mania de morder a parte interna da bochecha quando estava pensativa.
Distraído em seus pensamentos se assustou quando duas
crianças surgiram gritando e correndo envolta dele. A menor delas caiu e
começou a berrar na tentativa de que sua mãe a salvasse, a outra continuou
correndo em frente. Olhou em volta e não viu sinal de ninguém que pudesse ser o
tutor daquela criança. A essa altura as pessoas em volta já começaram a olhar
curiosas na direção deles. “ Oi amigão” – disse ele se encurvando para ficar
mais próximo da criança. “Onde está sua mãe?”. A criança gritava cada vez mais
alto e ele não sabia se era por causa do tombo ou porque não sabia onde estava
a mãe ou se mesmo ele estava o assustando.
Pegou a criança no colo e percebeu que o joelho estava sangrando. “Vamos dar um
jeito nisso amigão”. Olhou em volta e levou a criança que ainda berrava para a
mesa mais próxima, cerca de três metros de distância. Ele não tinha nenhuma
habilidade com crianças e tentou pega-la o menos desengonçado possível.
“Ei, o que você está fazendo?” – veio uma voz rude atrás
dele. Se virou e viu uma mulher na faixa de uns 30 anos de idade, com outra criança
em seu braço.
- Hãa... Só estava tentando ajudar... – ele retribuiu com um sorriso torto.
- Pode deixar que cuido disso! – disse a mulher
arracando-lhe a criança de seu colo.
Como quem tomasse consciência novamente de onde estava, ele
fitou a banca que a tinha visto. Não estava mais lá... sentiu uma pontada de
desapontamento. Havia perdido novamente.
- Ed? É você? – com um susto virou-se de costa, e lá estava
ela. – Não estou acreditando! – completou ela com uma mão cobrindo a boca.
- Oi! Alice? Noossa! – ele tentou colocar o máximo que pode
o tom de surpresa na voz, contudo soou um pouco exagerado demais.
- Quanto tempo eu não te vejo! – disse ela em tom animado.
- Quanto tempo... mesmo...
– respondeu ele sem graça. Não sabia o que fazer então coçou a nuca. Ela
parecia mais bonita ainda.
- Então, você está morando por aqui? – perguntou ela.
- É acabei de me mudar! – falou empolgada.
Ele se perguntou o motivo da mudança. Haviam feito faculdade
em outro estado. A chance de agora morarem na mesma cidade ou até mesmo no
mesmo bairro, parecia improvável. Talvez teriam vindo pelo mesmo motivo,
emprego novo – já que aquela área estava em desenvolvimento nos últimos anos e
precisando de novos profissionais. Mas ele fez engenharia e ela jornalismo. Não
havia muito campo de atuação para jornalismo ali. Só havia indústrias voltadas
para a extração de minerais. Talvez ela tenha se casado e veio por causa do
marido. Fazia sentido.
Abriu a boca para perguntar... mas fechou logo em seguida.
Seria muito agressivo perguntar, assim, logo de cara? E se ela estivesse
casada? Mas e se estivesse solteira?
A resposta definiria se ele a deixaria ir ou se ele trataria
de te-la em sua vida daqui pra frente...
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