15 outubro 2015

Tarde da noite, onde até a grande São Paulo já dormia, ainda havia uma luz acessa. Dentre todos apartamentos de um alto prédio apenas um foco de luz competia com as estrelas. Ela não conseguia dormir, por mais que tentasse. Não sabia se o culpado da insônia seria o calor desnecessário ou seus pensamentos que pinicavam sua mente. Ligou o ar condicionado, apesar de odiar a sensação que o frio lhe causava na pele, ativou o spotify na playlist de musicas brasileiras e passou a mão em um livro – que não era incomum, sempre ter por perto.
No auto falante saia um som ameno e baixo, com musicas calmas que sempre lhe causava leveza e nostalgia. Por mais que tentasse não conseguia ler. Sua mente a arrebatava para longe dali, a quilômetros de distancias, sua cidade no interior.
Há alguns meses ela mudara pra São Paulo devido a uma boa oportunidade de emprego. Apesar de viver muitas mudanças – tudo que ela mais gostava, pois odiava a rotina – não conseguia deixar de pensar em sua terra. Mas isso tinha um motivo especial. Um certo rapaz de barba mal feita que conheceu um pouco antes de mudar.
Se questionava o porquê, logo quando teve a oportunidade de se mudar, e após passar longo período solteira desacreditando que pudesse encontrar alguém com mesmos gostos inusitados, foi encontrar alguém que parecia corresponder suas expectativas.
Tudo não passava de especulação, é claro. Ninguém tem garantia de sucesso nessa vida – nem amoroso ou profissional. Mas nunca lhe passara pela cabeça desperdiçar uma chance que sempre se dedicou por causa de uma pessoa. Era se anular demais. Mas... deixar alguém pra trás, também não seria se anular? Matar algo que poderia crescer e criar raiz?
Suspirou e meneou a cabeça tentando espantar pensamentos penosos, no entanto, tudo que conseguiu foi reviver a ultima vez que o viu. Contou pra ele. Não fazia a mínima ideia de como ele reagiria. Não disse nada, apenas apoiou a testa na dela e ficaram assim por alguns minutos, no silencio. Nenhuma palavra teria a capacidade de expressar nada naquele momento. Por fim ele se afastou um pouco, segurou em seus ombros, não perguntou se ela já havia decidido ir ou se ficaria. Apenas a beijou na testa. E com esse gesto ela entendeu que ele a apoiava em qualquer que fosse sua decisão. Sentiu vontade de chorar, devido tamanha maturidade com a forma de lidar nessa situação. Nem sempre deixar as pessoas ir de nossas vidas era fácil.

Alguns meses depois ainda se perguntava se tomara a melhor decisão. O medo de errar nas escolhas sempre a acompanhara e torcia para que, se um dia percebesse um erro, ter a humildade para voltar atrás e ainda tempo suficiente para corrigi-lo. Ou até mesmo, caso não fosse possível começar de novo, tivesse força suficiente para seguir em frente. A musica aos poucos foi sumindo de sua consciência “ Tão jovens... não temos tempo a perder...”. Até que, por fim, o cansaço lhe venceu e o sono a dominou. 

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