08 dezembro 2015

Como a leitura age


Curioso como certos livros mexem com a gente. Alguns mexem mais do que outros e os personagens passam dias morando em nossa mente. Diversas vezes já me peguei fazendo uma pausa na leitura para digerir todas as informações lidas ou assimilar todos as sensações sentidas.
Quando estamos lendo nossa mente trabalha fazendo juízo de valor de cada ato que acontece; algum comportamento do personagem, de algum fato narrado. É como se estivéssemos ( e de fato estamos) presenciando uma cena. Isso leva à experiência de diversas situações vividas.
Dois exemplos de que os livros pode nos causar sensações, é os livros recentemente lidos. O primeiro “Historias extraordinárias” de Alan Poe, me deixava com um frio na espinha a cada conto que eu lia. Eram historias bastante estranhas, carregadas de palavras negativas como morte, sofrimento, dor, aflição, xingamentos, o que causava certo peso. Posso dizer que as sensações que mais senti enquanto lia era espanto e horror. Sequer pude imaginar tanta maldade coubesse em um ser humano, características esta que estavam presentes em todos os personagens do autor.  
 O segundo livro, “O Advogado da vida” de Jean Postai, causaram analises mais profundas... o livro traz como tema principal o aborto, com questionamentos sobre a ilegalidade e moralidade do ato. Questionamento sobre a justiça, ou quando começa direito a vida. A maior parte do tempo eu analisei o aborto por uma perspectiva um pouco distante, analisando apenas aspectos sociais ou do livre arbítrio e possibilidade de escolha de cada cidadão. Contudo, além dessa perspectiva, me peguei em um momento me questionando sobre somo eu penso, enquanto pessoa, enquanto mulher, meu corpo e minhas ideologias. Então conclui que as perspectivas eram bastante diferentes e que por vezes entravam em choque, devido a diferença de referencial. É uma analise bem complexa, pois abrange diversos ponto de vistas... o jurídico, o social, o pessoal, o religioso. Enfim, esse pode se dizer que é um livro que mexe com o leitor em diversas formas... e essa talvez seria o melhor tipo de leitura, que questiona e coloca em choque pensamento dos leitores.
Além de viver experiências sem sequer sair do mesmo espaço físico, temos, por meio da leitura, acesso a diversas opiniões. Temos acesso ao que o personagem pensa e ao que ele sente. Essa forma é a melhor tática para “sentirmos na pele do outro”.
Cada livro transforma, e com certeza posso afirmar que não sou a mesma quando começo e quando termino determinado livro.

Depois vou postar um pequeno comentário sobre cada livro lido neste ano de 2015. 

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