Curioso como certos livros mexem com a gente. Alguns mexem
mais do que outros e os personagens passam dias morando em nossa mente.
Diversas vezes já me peguei fazendo uma pausa na leitura para digerir todas as
informações lidas ou assimilar todos as sensações sentidas.
Quando estamos lendo nossa mente trabalha fazendo juízo de valor
de cada ato que acontece; algum comportamento do personagem, de algum fato
narrado. É como se estivéssemos ( e de fato estamos) presenciando uma cena.
Isso leva à experiência de diversas situações vividas.
Dois exemplos de que os livros pode nos causar sensações, é
os livros recentemente lidos. O primeiro “Historias extraordinárias” de Alan
Poe, me deixava com um frio na espinha a cada conto que eu lia. Eram historias
bastante estranhas, carregadas de palavras negativas como morte, sofrimento,
dor, aflição, xingamentos, o que causava certo peso. Posso dizer que as
sensações que mais senti enquanto lia era espanto e horror. Sequer pude
imaginar tanta maldade coubesse em um ser humano, características esta que
estavam presentes em todos os personagens do autor.
O segundo livro, “O
Advogado da vida” de Jean Postai, causaram analises mais profundas... o livro
traz como tema principal o aborto, com questionamentos sobre a ilegalidade e
moralidade do ato. Questionamento sobre a justiça, ou quando começa direito a
vida. A maior parte do tempo eu analisei o aborto por uma perspectiva um pouco
distante, analisando apenas aspectos sociais ou do livre arbítrio e
possibilidade de escolha de cada cidadão. Contudo, além dessa perspectiva, me
peguei em um momento me questionando sobre somo eu penso, enquanto pessoa,
enquanto mulher, meu corpo e minhas ideologias. Então conclui que as
perspectivas eram bastante diferentes e que por vezes entravam em choque,
devido a diferença de referencial. É uma analise bem complexa, pois abrange
diversos ponto de vistas... o jurídico, o social, o pessoal, o religioso. Enfim,
esse pode se dizer que é um livro que mexe com o leitor em diversas formas... e
essa talvez seria o melhor tipo de leitura, que questiona e coloca em choque
pensamento dos leitores.
Além de viver experiências sem sequer sair do mesmo espaço físico,
temos, por meio da leitura, acesso a diversas opiniões. Temos acesso ao que o
personagem pensa e ao que ele sente. Essa forma é a melhor tática para “sentirmos
na pele do outro”.
Cada livro transforma, e com certeza posso afirmar que não
sou a mesma quando começo e quando termino determinado livro.
Depois vou postar um pequeno comentário sobre cada livro
lido neste ano de 2015.
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