No meio de uma
tarde do mês de setembro ela guiava o pequeno carro alugado por entre pés de
uvas em alguma parte da península itálica. A brisa do vento e o sol suave
tocava seu rosto lhe causando uma sensação de plenitude. Deixara uma vida
estressante para trás enfrentara uma família conservadora, preconceito das
pessoas e finalmente agora vivia o que sempre quis. Talvez todo esse caminho,
sempre adiando sonhos e projetos, tivesse contribuído para que agora ela dar importância
para cada pequena conquista, cada sensação de bem estar que finalmente podia
sentir.
Aos
34 anos, desfrutava pela primeira vez a verdadeira sensação de liberdade.
Aprendera que fama, dinheiro e reconhecimento ou aprovação nunca havia lhe
proporcionado uma sensação tão boa como esta, de sentir dona do próprio destino
ou de poder dar vasão a criatividade que aflorava em sua cabeça.
O
som do carro tocava um CD antigo de Jasom Mraz, o que influenciava ainda mais em
seu estado de espirito leve que desfrutava. A paisagem deslumbrante das
vidreiras que margeava a estrada de ambos os lados e o contato com a natureza a
fazia apreciar ainda mais sua própria companhia.
Segundo o mapa que a acompanhava no banco do
passageiro faltava cerca de 50 quilômetros para chegar no próximo povoado. Ali
faria uma pausa, para passar a noite, e no dia seguinte seguir viagem para onde
o coração sentir vontade. Pela primeira vez ela andava a esmo, sem qualquer roteiro
e sem sentir-se perdida, pelo contrario.
Ao longe avistou
as primeiras edificações do povoado. Quase na entrada notou uma placa dizendo “Benvenuti Orizzonte Bello”. Sorriu com a
coincidência. Chegou a uma pequena pousada de 2 andares, que parecia ser o prédio mais alto entre todos do vilarejo.
Havia um quarto disponível no andar de cima, e sem escolher muito, pegou o
primeiro que lhe fora oferecido.
Abriu a porta
despejou a pequena mala no chão, de qualquer jeito. O quarto era estilo romântico,
com papel de parede com pequenas flores desenhadas, cores claras na colcha e
travesseiros. Em contraste a janela - que descia do teto até o chão – era de um
verde vivo. A decoração combinava perfeitamente com seu vestido, justo no busto
e rodado na saia. Sorriu com a comparação fantasiosa na cabeça. Abriu a janela
e se deparou com uma pequena sacada, com peitoril composto de barras de ferro
delicadamente desenhadas. Abriu os olhos e observou as casas bem juntas umas das
outras. Longe de todo o barulho de cidade grande que estava acostumada aspirou
o ar, sentindo-o inundar o peito.
O sol começara
a se por.
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