01 dezembro 2015

No meio de uma tarde do mês de setembro ela guiava o pequeno carro alugado por entre pés de uvas em alguma parte da península itálica. A brisa do vento e o sol suave tocava seu rosto lhe causando uma sensação de plenitude. Deixara uma vida estressante para trás enfrentara uma família conservadora, preconceito das pessoas e finalmente agora vivia o que sempre quis. Talvez todo esse caminho, sempre adiando sonhos e projetos, tivesse contribuído para que agora ela dar importância para cada pequena conquista, cada sensação de bem estar que finalmente podia sentir.
                Aos 34 anos, desfrutava pela primeira vez a verdadeira sensação de liberdade. Aprendera que fama, dinheiro e reconhecimento ou aprovação nunca havia lhe proporcionado uma sensação tão boa como esta, de sentir dona do próprio destino ou de poder dar vasão a criatividade que aflorava em sua cabeça.
                O som do carro tocava um CD antigo de Jasom Mraz, o que influenciava ainda mais em seu estado de espirito leve que desfrutava. A paisagem deslumbrante das vidreiras que margeava a estrada de ambos os lados e o contato com a natureza a fazia apreciar ainda mais sua própria companhia.
  Segundo o mapa que a acompanhava no banco do passageiro faltava cerca de 50 quilômetros para chegar no próximo povoado. Ali faria uma pausa, para passar a noite, e no dia seguinte seguir viagem para onde o coração sentir vontade. Pela primeira vez ela andava a esmo, sem qualquer roteiro e sem sentir-se perdida, pelo contrario.
Ao longe avistou as primeiras edificações do povoado. Quase na entrada notou uma placa dizendo “Benvenuti Orizzonte Bello”. Sorriu com a coincidência. Chegou a uma pequena pousada de 2 andares, que parecia ser o  prédio mais alto entre todos do vilarejo. Havia um quarto disponível no andar de cima, e sem escolher muito, pegou o primeiro que lhe fora oferecido.
Abriu a porta despejou a pequena mala no chão, de qualquer jeito. O quarto era estilo romântico, com papel de parede com pequenas flores desenhadas, cores claras na colcha e travesseiros. Em contraste a janela - que descia do teto até o chão – era de um verde vivo. A decoração combinava perfeitamente com seu vestido, justo no busto e rodado na saia. Sorriu com a comparação fantasiosa na cabeça. Abriu a janela e se deparou com uma pequena sacada, com peitoril composto de barras de ferro delicadamente desenhadas. Abriu os olhos e observou as casas bem juntas umas das outras. Longe de todo o barulho de cidade grande que estava acostumada aspirou o ar, sentindo-o inundar o peito.

O sol começara a se por. 

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