Odeio e-mails que falam mal do governo. Não porque eu defenda o governo. Mas sim porque, quem os enviam, só criticam. “O governo dá bolsa família, cotas nas universidades, auxilio-não-sei-o-que, e cobram um monte de imposto daqueles que trabalham dignamente”. Normalmente quem critica as cotas, auxilio-não-sei-o-que, são pessoas que não dependem desse tipo de ação do governo para comer. Não estou defendendo as “ bolsas” distribuídas pelo governo, pois sei que tem muito dinheiro desviado devido á esses auxílios ( e isso é outra história).
Porém ninguém pára pra pensar quantas famílias são beneficiadas, e graças a esses auxílios, conseguem comer. Muitas famílias, por causa do dinheiro que recebem do “auxilio-não-sei-o-que” compram o feijão pra interar a alimentação dos filhos, que seria só arroz. E também se ouve criticas como: “ tem família que recebe um salário do governo pra alimentar os 6 filhos”. Acham um salário fornecido a essas famílias muito não é? Mas vai alimentar seus 6 filhos com um salário!!! E quando o seu filho arruma um emprego pra ganhar apenas um salário mínimo ainda dizem “ que absurdo! o salário do nosso pais é uma miséria”. Que paradoxo! Um salário dado pelo governo para ajudar uma família com 6 filhos é muito e um salário mínimo para seu filho é pouco! Háhaá, e seu filho nunca comeu só arroz no almoço não é? Teve escola, pôde cursar uma universidade, enquanto aqueles que recebem o auxilio bolsa fizeram até a quarta serie ( e olhe lá) pois tiveram que parar os estudos para ajudar o pai na profissão de pedreiro, para interar, quem sabe, a renda da família.
Aí já vem outra critica “as famílias pobres não conseguem nem se alimentar e tem 6 filhos”. È verdade, as famílias pobres são numerosas. Mas também poucas almas boas tiram um tempo para ir a uma comunidade carente e dar uma palestra de métodos contraceptivos.
Aos que criticam as costas agem motivados pelo próprio interesse. Se metade das vagas agora será para alunos de escolas publicas, ficará mais difícil para seus filhos entrar na universidade. As cotas podem ser injustas devido á forma com que elas foram impostas ao sistema, mas também um aluno de escola publica disputar uma vaga com outro de escola particular também não seria injusto? Aquele proveniente de escola publica está automaticamente eliminado do processo, uma vez que o nível do aluno da escola privada é muito maior que aquele da escola publica. O vestibular só faz selecionar, novamente, os de melhores condições financeiras – mesmo que esta não seja a intenção.
O governo ao tentar diminuir essa discrepância recebe infinitas criticas. E o argumento principal é “o ensino que deve ser melhorado, ao invés de se criar cotas!”, mas enquanto isso a classe média não está nem aí – até que atravessem os planos dela, é claro. Concordo que o ensino deve melhorar, mas enquanto isso não acontece deixe que o governo tome medidas com resultados, no mínimo, imediatos – não que seja a solução.
Em qualquer tipo de fila é possível escutar cochichos contra o governo – criticas sempre há, mas reconhecimento das coisas feitas e eficazes ninguém reconhece – ai reclamam dos impostos!! “ Nossa como ta caro o bacalhau!” ou “ nossa, ficou caro a minha declaração de renda”. Se os impostos que você paga, você acha muito caro, será que não é porque o seu “salarinho” é bom? Que eu saiba, imposto é pago proporcional ao que você recebe. Ah, esqueci, você é bom na critica!
Um dos emails que eu recebi esses dias dizia que brasileiro não respeitava transito, não respeita isso, não respeita aquilo e ainda querem cobrar bom comportamento dos deputados! Quem escreveu aquele email não deve ser brasileiro porque julgava os brasileiros e obviamente ele não teria reparado seus próprios defeitos. Com certeza o autor do criativo email nunca errou na vida, e nunca cometeu uma infração. Parabéns pra ele.
O que me irrita é que muitos só ficam com a bundinha sentadinha na cadeirinha enviando emails criticando o governo, ao invés de levantar a popança gorda do banco e fazer alguma coisa pelo mundo. Ok, sei que eu desci a lenha nisso aqui, e vocês devem estar se perguntando “ela também só está criticando, e o que ela faz pelo mundo?”. Pois bem, eu digo que eu faço sim, mais do que muitos ai que tem mais condições que eu de ajudar- porém não o fazem. Não é atoa que eu quero ser medica. Não quero isso pra ter um diploma ou dinheiro na bolsa. Eu quero porque eu me sinto bem em fazer algo de útil, e isso é muito mais satisfatório do que entrar em um shopping e gastar.
Enfim, não há como fazer com que as pessoas se atentem a não ser pela critica - mas há dois tipos de critica, aquela que só fala mal, e aquela que tem fins construtivos, que serve de alerta. Agora leitor, cabe a você saber qual delas usei. Ou que tal, ao invés de só reclamar, olhar a sua volta e ver se alguém precisa de algo?
ps: por favor clique no link do titulo da postagem " classe média" e assista ao video.
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