A cidade
estava cheia naquele final de semana. As ruas bem iluminadas e com bastante
movimento. Era uma cidade turística, portanto, natural que ficasse mais
movimentada em um final de semana prolongado com feriado. Apesar de ser uma
cidade grande, ela costumava frequentar os mesmos lugares e, não diferente, as
pessoas ali também eram quase sempre as mesmas. Chegou com um grupo de amigas
por volta das onze horas e verificou que a fila do pub já estava dobrando a
esquina. Sentiu tédio por ter que esperar para entrar, queria logo uma cerveja
e provavelmente perderiam o primeiro show das bandas que se apresentariam.
Mais tarde chegaram outros amigos para compor a roda. Dentre eles estava Renato, um antigo professor de música. Não se viam há algum tempo e sempre se pegavam, quando surgia oportunidade.
Ele aproximou-se dela, e deu-lhe um beijo no rosto.
Mais tarde chegaram outros amigos para compor a roda. Dentre eles estava Renato, um antigo professor de música. Não se viam há algum tempo e sempre se pegavam, quando surgia oportunidade.
Ele aproximou-se dela, e deu-lhe um beijo no rosto.
- Quanto tempo não te vejo! - afastou, examinando o
rosto dela. Estava mais bela que de costume, o batom vermelho destacando-lhe os
lábios.
- Pois é... Anda se metendo em muita confusão? - perguntou ela.
- Pois é... Anda se metendo em muita confusão? - perguntou ela.
- Algumas... - respondeu-lhe.
Permaneceram na fila por
mais algum tempo, ambos interagindo de maneira geral com a turma. As horas
foram passando e ela cada vez mais irritada com a espera. Naquela noite tinha
show de uma banda mais famosa, o que despertou o interesse de muitas pessoas
para o lugar que nem sempre lotava. Na medida que as pessoas com ingresso iam
chegando, passavam na frente, fazendo com que a demora se perpetuasse.
- Me dá um cigarro? - pediu ela. Ele tirou o maço do bolso, estendeu a ela e riscou o isqueiro. Ela tragou a fumaça, fazendo com que a pequena chama tornasse mais forte.
- Na última vez que te vi, você disse que pararia.
Ela deu de ombros, sinalizando a falta de interesse em parar de fumar.
- Mudei de ideia. - Em tom provocativo jogou a fumaça na cara dele. Renato passou as mãos no cabelo, da nuca para cima, reação espontânea de alguém que estava sendo provocado.
Nesse instante chegaram outras pessoas na turma. Era Jorge, e outros amigos. Ela odiava aquele cara, um maior babaca. Suspirou, não ocultando o desgosto que sentiu na hora. Renato percebeu, e como bom conhecedor de Alice já havia percebido a irritação dela. Espontaneamente a abraçou. Atitude que possuía com poucas pessoas, mas com ela havia certa cumplicidade implícita que o possibilitava de fazer isso sem causar mau estar entre os dois.
- Quer sair daqui? Ir pra outro lugar ? - perguntou ela.
Ele ficou surpreso com a pergunta de supetão.
- Você quem sabe...
- É só que eu não estou com vibe pra baladas hoje.
Saíram sorrateiramente caminhando, sem chamar atenção dos amigos.
- E então... O que você me conta ? - disse ele quebrando o silêncio após caminharem por alguns minutos.
- O de sempre.. Trabalho, chefe, contas, chatices..
- A vida...
- Rotina, na verdade.
Continuaram andando. Sem perceber tomaram o rumo da praia. Parecia um destino óbvio. Era difícil não serem atraídos para mar. Ela estava, monossilábica, como de usual. Com o tempo ele acostumou com isso, mas quando a conheceu ele interpretava isso como frieza ou falta de interesse. Com o tempo percebeu que esse era o jeito dela.
- E você ? Como anda a vida ?
- Ah, de sempre também... Continuo com dando aulas pra conseguir um extra... Você sabe, viver de música é difícil. Mas compor tem me dado uma grana fácil e rentável ultimamente.
- Que bom... Fico feliz por você. - ela olhou pra ele e sorri-lhe.
Alcançaram a praia. Ela tirou o coturno e colocou os pés na área. Sempre considerava esse ato terapêutico. Sentaram de frente pro mar, ouvindo o barulho das ondas quebrando na praia. A noite estava clara, sem nuvens no céu propiciando uma bela vista das estrelas.
- Temos uma visão privilegiada da chuva de Líridas esta noite.
- O quê ?
- Chuva de Líridas. Essa época do ano, mais precisamente os dias 20 e 21 de abril, que ocorre o fenômeno da chuva de meteoros. É quando a terra passa pelos rastros de detritos deixados pelo cometa Thatcher.
Ela olha pra ele incrédula com a capacidade que ele tem em guardar informações corriqueiras.
- Como sabe disso?
Ele sobe e desse os ombros. - Li no Google.
Ela deita na areia pra poder olhar diretamente para o céu, na esperança de ver algum meteoro e fazer um pedido. Eles permanecem assim, quietos, por um tempo. Com o corpo próximos, podendo sentir o calor mútuo. Começam a se beijar, sem que nenhuma palavra fosse dita. Com eles sempre fora assim... Natural, sem rodeios. Se queriam e pronto.
Se beijaram longamente, as mãos dele deslizando por debaixo de sua blusa, sentindo o calor do contato humano.
Ela já se perguntara várias vezes porque eles nunca se aproximaram o suficiente para namorar. Teve épocas que passavam muito tempo juntos, sem cobranças, contudo sem expectativas futuras também. Ela adoraria namorar um cara com as características da personalidade dele. Desencanado, tranquilo. Nunca o vira nervoso. E estar ao lado dela a acalmava. Sempre fora por natureza uma pessoa ansiosa. Não sabia explicar então o que não os mantiam juntos. Se afastavam com a mesma naturalidade com que se aproximavam. Sem cobranças, sem ônus, sem pesos.
Talvez fossem as perspectivas de futuro de cada um. Ela queria segurança, terreno sólido. Ele já era mais de viver o presente, sem pensar no amanhã. Talvez ele entendesse as necessidades dela, por isso nunca cobrara nada ou insistira em permanecer em sua vida.
Passaram horas se beijando e acariciando, na areia da praia, até que enfim, adormeceram, um nos braços do outro.
- Me dá um cigarro? - pediu ela. Ele tirou o maço do bolso, estendeu a ela e riscou o isqueiro. Ela tragou a fumaça, fazendo com que a pequena chama tornasse mais forte.
- Na última vez que te vi, você disse que pararia.
Ela deu de ombros, sinalizando a falta de interesse em parar de fumar.
- Mudei de ideia. - Em tom provocativo jogou a fumaça na cara dele. Renato passou as mãos no cabelo, da nuca para cima, reação espontânea de alguém que estava sendo provocado.
Nesse instante chegaram outras pessoas na turma. Era Jorge, e outros amigos. Ela odiava aquele cara, um maior babaca. Suspirou, não ocultando o desgosto que sentiu na hora. Renato percebeu, e como bom conhecedor de Alice já havia percebido a irritação dela. Espontaneamente a abraçou. Atitude que possuía com poucas pessoas, mas com ela havia certa cumplicidade implícita que o possibilitava de fazer isso sem causar mau estar entre os dois.
- Quer sair daqui? Ir pra outro lugar ? - perguntou ela.
Ele ficou surpreso com a pergunta de supetão.
- Você quem sabe...
- É só que eu não estou com vibe pra baladas hoje.
Saíram sorrateiramente caminhando, sem chamar atenção dos amigos.
- E então... O que você me conta ? - disse ele quebrando o silêncio após caminharem por alguns minutos.
- O de sempre.. Trabalho, chefe, contas, chatices..
- A vida...
- Rotina, na verdade.
Continuaram andando. Sem perceber tomaram o rumo da praia. Parecia um destino óbvio. Era difícil não serem atraídos para mar. Ela estava, monossilábica, como de usual. Com o tempo ele acostumou com isso, mas quando a conheceu ele interpretava isso como frieza ou falta de interesse. Com o tempo percebeu que esse era o jeito dela.
- E você ? Como anda a vida ?
- Ah, de sempre também... Continuo com dando aulas pra conseguir um extra... Você sabe, viver de música é difícil. Mas compor tem me dado uma grana fácil e rentável ultimamente.
- Que bom... Fico feliz por você. - ela olhou pra ele e sorri-lhe.
Alcançaram a praia. Ela tirou o coturno e colocou os pés na área. Sempre considerava esse ato terapêutico. Sentaram de frente pro mar, ouvindo o barulho das ondas quebrando na praia. A noite estava clara, sem nuvens no céu propiciando uma bela vista das estrelas.
- Temos uma visão privilegiada da chuva de Líridas esta noite.
- O quê ?
- Chuva de Líridas. Essa época do ano, mais precisamente os dias 20 e 21 de abril, que ocorre o fenômeno da chuva de meteoros. É quando a terra passa pelos rastros de detritos deixados pelo cometa Thatcher.
Ela olha pra ele incrédula com a capacidade que ele tem em guardar informações corriqueiras.
- Como sabe disso?
Ele sobe e desse os ombros. - Li no Google.
Ela deita na areia pra poder olhar diretamente para o céu, na esperança de ver algum meteoro e fazer um pedido. Eles permanecem assim, quietos, por um tempo. Com o corpo próximos, podendo sentir o calor mútuo. Começam a se beijar, sem que nenhuma palavra fosse dita. Com eles sempre fora assim... Natural, sem rodeios. Se queriam e pronto.
Se beijaram longamente, as mãos dele deslizando por debaixo de sua blusa, sentindo o calor do contato humano.
Ela já se perguntara várias vezes porque eles nunca se aproximaram o suficiente para namorar. Teve épocas que passavam muito tempo juntos, sem cobranças, contudo sem expectativas futuras também. Ela adoraria namorar um cara com as características da personalidade dele. Desencanado, tranquilo. Nunca o vira nervoso. E estar ao lado dela a acalmava. Sempre fora por natureza uma pessoa ansiosa. Não sabia explicar então o que não os mantiam juntos. Se afastavam com a mesma naturalidade com que se aproximavam. Sem cobranças, sem ônus, sem pesos.
Talvez fossem as perspectivas de futuro de cada um. Ela queria segurança, terreno sólido. Ele já era mais de viver o presente, sem pensar no amanhã. Talvez ele entendesse as necessidades dela, por isso nunca cobrara nada ou insistira em permanecer em sua vida.
Passaram horas se beijando e acariciando, na areia da praia, até que enfim, adormeceram, um nos braços do outro.
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