Tudo que eu queria era poder dar vazão a toda aquela raiva que sentia desde que descobri toda a verdade.
Ele não quis se justificar nem mesmo me culpar por tudo o que aconteceu - reação natural de todo mundo quando não assume os próprio erros. Ele apenas pegou suas coisas e foi embora.
Não tive uma chance sequer de extravasar minha raiva contra ele, não tive a oportunidade de gritar ou culpa-lo, atirar-lhe coisas.
Acho que isso foi o que doeu mais. Ele apenas ir. Sem tentar, sem justificar. Apenas foi.
O coração humano tem uma outra função além de bombear o sangue. Ele guarda sentimentos. Bons ou ruins. Amor ou ódio. Tédio ou ansiedade. Alegria ou tristeza. Bondade ou maldade. E lembranças.
Depois de alguns dias entendi que, se eu quisesse seguir frente com leveza de espírito e sem toda aquela ira que corroía e intoxicava cada célula do meu corpo, era eu mesma deveria me livrar da carga sozinha, já que não pude despejar em cima do próprio culpado.
O dia posterior que percebi que somos nós que determinamos o que levamos dentro de nossa alma e coração, o dia amanheceu diferente.
Não era mais nublado, contudo ainda não estava completamente ensolarado. Mudanças internas acontecem aos poucos. Comecei tirando dentro de mim tudo que me remetia a ele. Depois de dentro do quarto, da sala. Do banheiro apaguei todos os sinais de um homem um dia poderia ter usado aquele cômodo.
Quando terminei a casa estava em ordem. E não me refiro a "casa" apenas o espaço físico que habitamos, mas também ao coração, onde as pessoas fazem, no sentido figurado, a sua morada. Mas o mais importante de tudo Eu estava em ordem.
Foi então que senti um vazio imenso, depois de por todo aquele lixo pra fora. Tinha muito espaço livre naquela "casa".
Então chegou a agora de partir pra segunda etapa. Preencher o espaço vazio com coisas que me agradava. Mais livros na minha estante, musicas novas na playlist, armário devidamente abastecido de vinho. E pipoca, claro, a pipoca pra acompanhar os melhores filmes a ser desfrutado perto de sua própria presença.
E assim foi fácil perceber que seguir em frente pode ser menos tenebroso do que imaginamos. Os medos não são nada mais do que figuras que nós mesmos criamos pra enfrentar. E é esse o sentido da vida, superar a si mesmo, cada dia de sua vida, sem ter que arrastar correntes ou o lixo que os outros fazem questão de jogar na sua porta. 🏡🎈
Nenhum comentário:
Postar um comentário