24 julho 2016

Mais uma briga dentre tantas as quais haviam se tornado rotineiras. A cama vazia fazia com que ela sentisse um frio que o termômetro não registrava. Somente o calor do corpo dele poderia a esquentar naquela noite de outono.
Levantou-se da cama e fechou a persiana, onde a brisa suave da noite soprava fazendo com as cortinas voassem com movimentos aleatórios. Da janela viu as luzes da cidade que piscava ao longe ofuscando a visão das estrelas no céu. Havia um mundo lá fora onde as coisas nunca paravam de acontecer. Mas nessa noite, sentia como se seu coração estivesse paralisado. Lagrimas nos olhos embaçou sua visão, então desistiu de olhar para fora e voltou para cama. Tentativa fracassada de pegar no sono.

.......

Há dois quilômetros de distância a mesma brisa suave soprava para dentro do quarto dele. Tentava ler um livro, fingindo pra si mesmo que a história estava interessante. Devaneios tomou conta de sua cabeça. Lembrou da noite que a conheceu “ Pode sentir isso?” , disse ela tocando seu nariz gelado no dele. Ele apenas assentiu com a cabeça sabendo que ela não se referia ao gelo do nariz, mas do sentimento que atravessava o corpo dos dois.
Fechou o livro e assumiu pra si mesmo que ler seria impossível. Foi até a sacada e viu luzes de outros prédios. Ainda havia algumas luzes acessas – pessoas ocupadas trabalhando até tarde ou outros apaixonados, como ele, incapazes de dormir?
Voltou para a cama que parecia tão grande sem ela para poder dividir.




Por causa do orgulho, dormiriam sozinhos naquela noite.





*Trilha sonora sugerida: Don't forguet about me

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