Eu não acreditava no que as
pessoas me diziam sobre ficar velho. Ouvia os mais velhos dizendo “não tenho
pique mais para isso” e me pegava pensando “não serei este tipo de pessoa”.
Sempre fui animada, dotada de gás energia própria que me motivava. Acreditava
que a juventude vinha de dentro e que se quiséssemos poderíamos nos manter
sempre jovens.
Ainda acredito nisso, porém não
com tanta certeza como antes. Se quisermos podemos nos manter jovens,
pensamentos atualizados, manter o bom humor a esperança sempre de que o futuro
será melhor. Pra isso servem os livros, os filmes, os nossos hobbies que nos
renovam e dão novo folego. O segredo é não esquecer de si mesmo, fazer agrados
próprios e não sucumbir apenas em realizar as obrigações do dia a dia.
Mas o fato é que cá estou eu,
quase aos trinta – bastante jovem ainda, eu sei – porém uma pessoa bem
diferente daquela que eu era na casa dos quase vinte.
O folego não é o mesmo. A
disposição não é mais a mesma. Os interesses, principalmente estes, estão bem
diferentes. Aos vinte estamos ávidos em viver, com sede de novas descobertas.
Aos trinta, ainda temos um pouco disso, mas não é qualquer matéria que te
empolga o suficiente para te convencer sair de casa de pronto. Antes, um
“vamos” era o suficiente, agora... Ah, agora é tanta coisa... preciso fazer
isso, fazer aquilo, estou cansado, depois eu vou...
É meu amigo, hoje acredito nos
mais velhos. Acredito que a velhice vai chegando de mansinho tomando conta da
sua vida, da sua mente e expulsando sua juventude sem você sequer perceber.
Falando assim isso pode parecer
ruim... mas a verdade é que também tem sua parte boa. Com a energia reduzida
você aprende a economiza-la, ser seletivo, ter foco e a destina-la a aquilo que
é realmente do seu interesse. Melhor investir naquilo que nos vai dar um
retorno, ao invés de sair por ai querendo tudo, experimentando tudo.
O fato é que a velhice não é ruim
se você aprende a aceita-la e lidar com ela. Não me refiro a se conformar ou se
sucumbir, mas sim aprender a caminhar com ela. Uma pessoa pode viver uma
experiência aos 20 anos, aos 30, ou aos 40, 50... e cada vez que vive-la, vai
experimenta-la de forma diferente.
Assim é a velhice, com ela chega
a maturidade (madura-idade). A velhice não te impede de desfrutar a vida, só
fará com que você o faça de maneira diferente.
E se você, assim como eu, pesava
que não ia ser acuminado por ela, Ah meu amigo... com certeza um dia você chega
lá.
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