Adoro gente simples.
Mas o que eu mais gosto mesmo é observar a rotina de vida deles.
Todo dia, em um um restaurante aleatório, perdido entre tantos outros de uma cidade grande, uma mulher que pela idade não poderia ser considerada senhora mas pela fisionomia judiada da que a vida lhe submeteu, entra pela mesma porta e mesmo horário.
O mesmo restaurante. Sempre. A mesma mesa, inclusive. A preferida dela. Como sempre vem cedo, quando chega o restaurante ainda não está cheio e ela poderia escolher qualquer outra mesa, mas sempre escolhe aquela. É como um ritual. Só pra seguir à rotina.
O restaurante é um pouco caro para seu orçamento mensal, mas dele ela não abre mão. Se o fizesse cortaria de sua vida o único ato rotineiro que lhe traz satisfação.
Pela fisionomia tranquila daquela mulher observa-se que a rotina lhe faz bem. Todos os dias sente a mesma sensação maravilhosa ao sentar pra fazer uma refeição, diria que sente a mesma sensação amistosa que os aventureiros sentem ao praticar uma atividade nova. É aquela sensação, da rotina, mas não tem aquela excitação da adrenalina. O que não deixa de sentir-se satisfeita.
Os movimentos minimamentes calculados ao ajeitar a comida no talher, as 33 mastigadas de cada lado antes de engolir a garfada.
Da mesma forma que a aventura é prazerosa aos aventureiros a rotina é satisfatória para os metódicos.
E esta mulher que todos os dias entra pela mesma porta, do mesmo restaurante e senta-se na mesma mesa, sempre no mesmo horário, demonstra maior gratidão pela vida do que ávidos aventureiros que buscam sempre mais.
Fato é que movimento é combustível da vida. Mas da mesma forma, uma pessoa pode também sentir-se satisfeita por poder repetir todos os dias eu ritual .
Afinal de conta já diziam poetas, felicidade é uma questão particular, está dentro de cada um.
Então questiono e concluo: não existe maneira certa de viver ou fórmula pra felicidade. Cada um tem a missão de descobrir a sua.
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